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domingo, 16 de janeiro de 2011

POR ONDE ANDA DUNGA?



Julho de 2006, Dunga é anunciado (surpreendentemente) para o cargo de técnico da Seleção. Causou surpresa, mas sua chegada obedeceu à certos critérios, que são os seguintes:

Ricardo Teixeira precisava encontrar culpados para a derrota na Alemanha (lógico que ele se incluiria fora dessa), que deveriam ser combatidos pelo novo treinador.

Jogadores relapsos: a preparação se tornou uma colônia de férias, com direito à algumas estripulias bem adultas. Para jogar no time de Dunga, era preciso ter comprometimento (palavra que ele repetiu à exaustão), aceitar a reserva e colocar o grupo (ou o verde e amarelo, na linguagem zagalliana) acima dos interesses individuais.

Comissão Técnica frouxa: nesse caso, apenas Parreira e Zagallo foram sacrificados. Boa parte da Comissão era “indicada do chefe” e por lá permaneceria, desde que seguisse a Cartlha do Tio Dunga.

Imprensa impertinente: Dunga decretou o fim das entrevistas que não fossem as coletivas, barrou a entrada de repórteres da Globo dentro da concentração e acabou com as informações privilegiadas de jornalistas, a quem dava respostas grosseiras, que chegou ao ápice com o xingamento a Alex Escobar.

A Seleção caiu na Copa, e Dunga caiu no ostracismo. Incrível como um ex-treinador de Seleção passa tanto tempo sem nem ter o seu nome cogitado para algum clube, a não ser uma especulação que rondou o São Paulo, que foi espantada como se espanta um fantasma.

Até Sebastião Lazaroni escapou do ostracismo.

Dunga foi injustamente escolhido como o único culpado pela derrota em 90, e a sorte e a má-fase de Raí lhe deram a braçadeira do Tetra em 94. Ao receber a taça de Al Gore, a ergueu proferindo palavrões impublicáveis. Em 98, era o chefe que distribuía broncas em todos, a pedidos da própria Comissão Técnica.

Sua carreira na Seleção terminou relativamente bem.

Nos clubes, jogava mal no Inter, mas teve que ser engolido por Emerson Leão, que foi obrigado a lhe recolocar no time. Em troca, fez o gol que salvou o Colorado do rebaixamento em 99. Quando a diretoria insinuou que ele era um mercenário, para se livrar dos seus altos salários, pegou a grana da rescisão, e distribuiu entre entidades assistenciais.

Daí por diante, o torcedor ainda guardava uma boa lembrança do jogador, coisa que o treinador fez jogar por terra.

Dunga teve até bons resultados, mas parece que se apaixonou pelo próprio reflexo: criou um grupo que lhe seguia cegamente, e que acreditava lutar contra inimigos imaginários, nesse caso os críticos. Se um jogador não lhe enquadrasse no seu sistema era de logo descartado, caso de Kaká e Ronaldinho, rotulados de traidores após a Copa América.

Na Copa, impôs aos jogadores um regime de concentração que misturava práticas espartanas e hábitos franciscanos. Sua afirmativa que nem todo mundo gosta de vinho, sorvete e de sexo virou motivo de piada.

A Seleção até que ia bem no Mundial, dentro do pragmatismo adotado. Mas o desastroso Segundo Tempo contra os holandeses expôs as fragilidades da equipe, que quando precisou da interferência do treinador, acabou órfã.

Derrota consumada, Dunga fugiu para os vestiários, como se tivesse medo de encarar os críticos. Críticos que mostraram que estavam certos.

Ao se encaminhar rapidamente para os vestiários, encerrou sua passagem pela Seleção, mas também pode ter encerrado sua carreira com treinador, já que seu nome não consta como preferência no rotativo mercado brasileiro, a não ser em no São Paulo, que antes da contratação de Paulo César Carpeggianni, cogitou a vinda de Dunga, algo que foi espantado como se espanta um fantasma.

Imaginava-se que Dunga tivesse prestígio ao menos no Exterior, mas esse prestígio não se converteu em convite, pelo menos não um que lhe agradasse.

Terá Dunga ido para o exílio da História?

A imagem do capitão vitoriosos foi copnvertida na imagem do treinador derrotado?