segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A HIERARQUIA DAS DISCIPLINAS



Já escrevi sobre o assunto, mas vale a pena relembrar. Período de atribuição de notas e de recuperação trimestral, e como ele a interminável discussão sobre avaliações e seus desdobramentos. E algumas perguntas surgem, como: “pode um aluno ficar reprovado na matéria X?”


Respondo logo de cara: Pode!

Trabalhei com um indivíduo que lecionava (ainda deve lecionar) Matemática, e acredita existir uma hierarquia de disciplinas na grade curricular do Ensino Médio.

No topo, Português e Matemática, as únicas “que realmente valem”, os rios caudalosos dos quais as outras disciplinas são afluentes. Para ele, a reprovação nessas coadjuvantes só são válidas se vieram acompanhadas de alguma “disciplina mãe”.

Abaixo, Biologia, Física. Geografia, História e Química, que ainda têm algum respeito, estão na grade há décadas, mas que para muitos, só têm legitimidade na reprovação se acompanhadas das duas “válidas”. Ainda assim, se História e Geografia vierem acompanhadas de Português e as outras três, de Matemática.

No terceiro escalão, Sociologia, Filosofia, Artes e as Línguas Estrangeiras. São conteúdos que não estão presentes em todas as séries, ou que entraram recentemente na grade. Reprovação, nesse caso, é quase um crime.

Porque crime mesmo é reprovar em Educação Física, a disciplina que só serve para jogar bola em quadras descobertas e esburacadas, ou para quem não tem menor interesse em se exercitar aproveitar um pouco do tempo para o ócio livre. A menos que poucos abnegados (conheço alguns valorosos) insistam em remar contra a maré.

Resumo dessa pirâmide: a educação, que propõe igualdade, está contaminada pela hierarquização desde a sua raiz.

O GP QUE NÃO VI

Vettel comemora no pódio de Monza (Antonio Calanni/AP)

Estava a caminho ou no estádio para ver Rio Branco x Desportiva.


Então, prefiro deixar a cargo do Fábio Seixas o relato da corrida.

Veja o original em fabioseixas.folha.blog.uol.com.br

Vettel, vitória e mão no título


Em Monza, o menos notado foi Vettel.


Porque venceu fácil, sem problemas, foi absoluto. Tudo dentro do esperado, seguindo o roteiro para a conquista do bicampeonato. Matematicamente, ele pode fechar a disputa já em Cingapura, daqui a dois domingos.


O que valeu a corrida foram os duelos mais para trás. O que Schumacher, Hamilton e Button fizeram no circuito italiano merece aplausos.


Em outras palavras: à parte o domínio de Vettel lá na frente, foi uma corridaça.


Na largada, Alonso saiu muito bem, Vettel tentou manter a ponta e ambos ensanduicharam Hamilton. O espanhol forçou mais, levou a melhor e assumiu a ponta, seguido pelo alemão e pelo inglês. Fantástico.


Mais pra trás, confusão: Liuzzi escapou, foi pra grama, deslizou e veio como um torpedo para o meio do pelotão, que já contornava a primeira curva. Azar para Petrov, que foi acertado quando duelava com Rosberg.


Seguiu-se um strike. Assim que a poeira baixou, o computador registrava cinco abandonos: D'Ambrosio, Ricciardo, Petrov, Rosberg e Liuzzi. Bruno teve de passar pelos boxes e voltou em 17º. Barrichello e Kobayashi, também atingidos, foram outros que tiveram de visitar os mecânicos.


Safety car. E relargada na quarta volta.


Mais esperto no lance, Schumacher passou Hamilton e assumiu o terceiro posto.


Vettel partiu pra cima de Alonso e, depois de até colocar roda na grama, fez a ultrapassagem na quinta volta. Acabou ali qualquer dúvida sobre quem seria o vencedor.


Quase ao mesmo tempo, em outro duelo Red Bull x Ferrari, Webber se deu mal. Tocou a traseira de Massa e, com a asa presa sob o carro, escapou da pista e bateu.


(Quem nasceu pra Webber nunca chegará a Vettel...)


Na décima volta, o top 10 era Vettel, Alonso, Schumacher, Hamilton, Button, Massa, Maldonado, Pérez, Di Resta e Alguersuari. A diferença de Vettel para Alonso já era de 6 segundos, um absurdo.


Foi quando começou um dos grandes duelos da temporada: Schumacher x Hamilton.


Dois grandes pilotos, com o mesmo motor Mercedes, cheios de vontade. E o alemão com uma ligeira vantagem, um carro mais rápido em reta.


Deu no que deu. Uma disputa eletrizante.


Na 12ª volta, Hamilton tentou passar por fora, na Parabólica. Não conseguiu. Na 13ª, fez a manobra na primeira chicane. Metros depois, antes da segunda chicane, o alemão deu o troco.


Seguiu-se uma perseguição feroz, que ganhou um terceiro competidor, Button.


Pois foi o campeão de 2009 que saiu vencedor da briga. Superou o companheiro e, na 16ª volta, deixou Schumacher para trás. "É assim que se faz", disse Button, pelo rádio.


Com os pneus já em frangalhos, o heptacampeão foi para os boxes. Na volta seguinte, Button parou, voltando à frente do rival.


Hamilton trocou pneus na 19ª volta e voltou grudado em Schumacher, dando início ao segundo round. Desta vez com reclamações do inglês à equipe sobre ziguezagues do alemão à sua frente.


Vettel, lembram dele? Parou na 20ª volta. Massa entrou na 22ª.


Pelo rádio, Hamilton seguia reclamando de Schumacher. E, temendo punição, Brawn pedia ao velho parceiro que deixasse espaço para o inglês.


Na 28ª, o inglês tomou a dianteira de novo. E as atenções então se voltaram para Button, que voando na pista encostou em Alonso.

O espanhol, porém, reagiu, tratou de acelerar e se livrar do problema.


Na 33ª volta, Button abriu a segunda janela de pits entre os pilotos da frente. Alonso e Hamilton pararam na 34ª. Vettel, na seguinte.


E todo aquele esforço do Alonso foi pro espaço. Porque Button levou vantagem na estratégia, encostou e passou, assumindo o segundo lugar.


Na últimas voltas, a maior emoção ficou por conta de Bruno, que fez uma bela ultrapassagem sobre Buemi na 49ª volta e assegurou a nona colocação.


Vettel cruzou a linha de chegada com 9s5 sobre Button. Alonso completou o pódio. Hamilton foi o quarto, seguido por Schumacher.


Massa, que saiu em sexto, terminou em sexto. Outra corrida insossa. Alguersuari foi o sétimo, com Di Resta logo atrás. Bruno, num belo trabalho, terminou em nono e marcou seus primeiros pontos na F-1. Fechando o top 10, Buemi.


Com sua 8ª vitória em 13 corridas na temporada, Vettel chega aos 284 pontos, 112 de vantagem sobre Alonso, o novo vice-líder. Button e Webber têm 167. Hamilton é o quinto, com 158. Massa surge em sexto, com 80.


As chances de fechar a disputa em Cingapura existem, mas dependem de azares incríveis dos rivais. A conta rápida é: se ele sair de lá com 125 pontos sobre o vice-líder, será o bicampeão.


Acho que termina na etapa seguinte, no Japão.

domingo, 11 de setembro de 2011

EU VOLTEI, AGORA PARA FICAR...



A balada de Roberto Carlos pode ser a trilha sonora a para minha manhã dominical, momento de voltar ao Araripe para ver a Desportiva (Ferroviária, a original, que nunca deveria deixar de ter existido) de novo. Desde 2008 não ia ao estádio ver a Desportiva (na época, a Capixaba, comandada pelo Marcelo Villa-Forte, argh!), e hoje foi o dia.


Mesmo que com o Araripe só tendo liberado as arquibancadas da tribuna de imprensa, mesmo o público limitado à no máximo, 3.500 pessoas (o público pagante anunciado foi um pouco superior a 2.500), mesmo o grama em condições sofríveis, mesmo com as cadeiras arrancadas, mesmo o time sendo composto de garotos reforçados por alguns veteranos, mesmo com o time limitado tecnicamente... mesmo assim, valeu a pena.

Se a trilha sonora foi embalada por Roberto Carlos, o título do filme seria “A volta de quem nunca deveria ter ido. Me lembrei dos tempos de garoto, quando meu pai me levava justamente no lado da arquibancada em que me sentei, à esquerda das cabines. Impossível não ser nostálgico.

O empate foi de bom tamanho, valeu pela vontade dos jogadores, de um time novo, em formação, recheado de garotos que podem ter sentido o jogo. Mas há que se atentar para os defeitos de posicionamento do time, a quantidade de passes errados, as desnecessárias ligações defesa-ataque, ignorando o meio-campo, as chances de gol perdidas, e por aí vai.

Conquistar a Copa ES seria muito bom, mas o trabalho deve ser pensado em médio e longo prazo. Para reprojetar o clube, a Segundinha do ano que vem é vital, e para isso, deve-se dar rodagem aos garotos e garimpar mais alguém que possa contribuir. Não acho que Aridélson Bianchi seja o nome ideal, mas seu trabalho até agora é elogiável. A caminhada é longa, mas começou bem.

sábado, 10 de setembro de 2011

TODOS SOMOS FIEIS



Desde guri ouço a propagação das maravilhas da torcida do Corínthians: “não é o time que tem a torcida, é a torcida que tem o time”, torcedores fieis “que sempre empurram o time”, a mística das vitórias sofridas, dos jogadores guerreiros, da “camisa que jogava sozinha”, como disse Antoine Gibran, descrendo da possibilidade de rebaixamento em 2007.


A mídia, interessada em cativar os numerosos adeptos, acalentava o mito. Alguns até ousavam em dizer que os corinthianos eram mais numerosos que os flamenguistas. Uma curiosa teoria do “segundo time” era defendida por Roque Citadini: “a torcida do Corínthians é mais concentrada em São Paulo e estados vizinhos. Torcedores do Flamengo que moram em regiões distantes do Rio torcem para um time local e para o Flamengo”, disse, não exatamente com essas palavras. Como se o corinthiano do interior paulista não torcesse TAMBÉM pelo time da sua cidade.

A fidelidade da torcida pode ser contestada em números: lógico que com boa fase, a torcida enche o estádio, mas o que dizer do ano 2000, quando o penúltimo lugar na Copa João Havelange veio acompanhado do 12° lugar na média de público? Me lembro bem da Libertadores de 2006, quando a torcida (bem verdade que era a gangue da Gaviões da Fiel) tentou invadir o campo na partida contra o River Plate, no Pacaembu. Será que eles queriam “empurrar” o time às margens do gramado?

Além do mais, torcida fiel mesmo é a do Santa Cruz, que conseguiu ano passado a melhor média de público entre todas as divisões do Campeonato Brasileiro, mesmo o time sendo eliminado na segunda fase da Série D. Um ano antes, torcedores iam ao Estádio do Arruda simplesmente para assistir o replantio do gramado e algumas obras de melhorias do estádio.

O rebaixamento corinthiano em 2007 pode ter ganho proporções grandiosas pela quantidade de torcedores, mas não doeu mais neles do que doeu no coração de qualquer torcedor que viu seu time ser rebaixado. No Brasil, existem doze clubes que, se rebaixados, causam barulho, e dão projeção à Série B.

E como seria encarada a épica “Batalha dos Aflitos”, se o adversário do Náutico fosse o Corínthians? Seria o maior caso de heroísmo da humanidade desde os 300 de Esparta...

Cada clube tem sua particularidade, sua especificidade, bem como seus bastidores políticos e sua torcida. Todos têm uma relação de vitórias sofridas, um rol de craques, jogadores apenas esforçados que adquiriram status de ídolos e feitos aumentados com o tempo, assim como vexames execráveis e uma sequência de cabeças-de-bagre que envergaram seus mantos. Isso sem contar as reclamações (infundadas ou não) contra os árbitros cegos ou corrompidos.

Talvez algum corinthiano cego de paixão (isso não é exclusividade de time nenhum) me inclua no grupo dos chamados antis, como se o mundo fosse bipolar, assim como era em tempos de Guerra Fria. Nessa visão grosseira, todas as outras torcidas, movidas pelo ódio e/ou pela inveja formam uma legião do mal contra os guerreiros de São Jorge. Ora essa, como se eles vissem com indiferença quando seus rivais, especialmente os três de São Paulo entrassem em campo. Imagino a torcida alvinegra indiferente à seus adversários jogado uma final...

O amor cega, independente do tamanho da torcida.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

VIDA DE GADO



Torcedor é um sujeito curioso: por um serviço, paga caro, é mal-atendido desde o momento em que compra o ingresso até a hora em que volta para casa. É submetido à sol e chuva, não tem lugar para estacionar o veículo, e quando encontra, é extorquido pela máfia dos flanelinhas (que agem sob a vista grossa das autoridades), tem um serviço público de transporte ineficiente e desumano (ônibus e trens lembram latas de sardinha), na maior parte dos estádios, assiste ao jogo sob o jugo da instabilidade da natureza, e nos meios de semana a um horário ofensivo a tal ponto de que não é raro que um indivíduo chegue em casa de madrugada com apenas poucos minutos para se arrumar e encarar um dia de trabalho.


E mesmo com a posse do desejado ingresso, corre o risco de ficar barrado nas catracas, sob as mais ridículas alegações (os promotores jocosamente apenas oferecem a devolução do valor das entradas).

A compra de ingressos é um caso que estranhamente, não é investigado: o sistema de compras é nebuloso, os ingressos se esvaem das bilheterias e vão parar nas mãos de cambistas (que também agem debaixo do nariz das “otoridades”). Gangues denominadas Torcidas Organizadas recebem ingressos gratuitos (e ainda os revendem!) das diretorias para espantarem qualquer cidadão de bem dos estádios, e ainda são saudados por jogadores e dirigentes como se representassem de fato a coletividade de torcedores. Nunca passei para Organizada alguma qualquer procuração para falar em meu nome.

“Autoridades”, “celebridades”, puxa-sacos, aspones e “chegados” circulam livremente por áreas reservadas à imprensa e atletas, por vezes provocando e participando de tumultos. A quantidade de público não-pagante chega a assustar, assim como quando são anunciados públicos medianos em estádios lotados. Será que as praças esportivas encolheram?

Quarta última, nos arredores do Engenhão, torcedores mal-informados ou mal-intencionados iam em busca de ingressos, mesmo com a diretoria já tendo anunciado o esgotamento. Faltou juízo à organização do evento, que não fez o recomendado “cordão de isolamento” em torno do estádio, para evitar que somente aqueles com a entrada na mão pudesse passar.

Isso tudo no “moderno” Engenhão, concebido para ser modelo para arenas até mesmo da Copa do Mundo. No país da Copa, se paga uma fortuna para (talvez) assistir o jogo espremido como gado, pagar caríssimo por um lanche meia-boca e ser exposto aos vândalos patrocinados pelo próprio clube.

Quem vaio ao estádio, vai por muito amor mesmo

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

RECUPERANDO O TERRENO



Ao analisar o Argentina x Brasil de ontem, deixo claro que não dá para ver o jogo sob a mesma ótica da rivalidade do futebol se é que essa rivalidade é tão grande assim. Já disse que a rivalidade político-cultural entre os dois países é uma tradição inventada, bem no estilo de Hobbsbawn.


E mesmo a rivalidade futebolística não pode se transpor para outros esportes: no Hóquei de Grama e no Rugby os brasileiros são adversários de menor expressão; assim como o inverso acontece na Natação e no Futsal. A Argentina vive fase fantástica no tênis, e os brasileiros, no vôlei.

O ocaso do basquete brasileiro coincide com a ascensão do argentino, vice-campeão mundial em 2002 e campeão olímpico em 2004, competições em que os americanos enviaram seus atletas da NBA. A brilhante geração, comandada em quadra por Ginnobili e Scola e fora dela por Ruben Magnano. Enquanto isso, os brasileiros não vão às Olimpíadas desde 96, sofrem com problemas dentro de quadra (defesa falha e jogo coletivo inconsistente) e fora dela (brigas políticas na cartolagem e até mesmo a divisão do torneio nacional em duas ligas).

Os atletas que atuam na NBA (Nenê e Leandrinho, especialmente) não demonstravam muito interesse em defender o selecionado, e quando atuavam, o esquema era montado de tal forma que girassem em torno deles, e mesmo com o carimbo de profissionais da principal liga do mundo, não resolviam.

Em 2007, a contratação do espanhol Moncho Moonsalve foi encarado pelos técnicos tupiniquins como uma ofensa. “Ele não conhece os jogadores e o estilo brasileiro”, disparou Marcel, curiosamente um dos candidatos à vaga. Mas, a oxigenação era necessária, não só pela ausência em Olimpíadas, mas também pelos Mundiais, onde o time chegou a nem se posicionar entre os 16 melhores.

Mas, o time com Moncho ainda não havia passado do “quase”, e a CBB, em um surto de ousadia, contratou Rubén Magnano para comandar o time. Alguma evolução foi verificada no Mundial do ano passado, o time ficou em décimo lugar, perdendo um jogo parelho com a Argentina. Verdade que uma derrota evitável perante os eslovenos colocou os vizinhos no caminho dos brasileiros ainda nas Oitavas-de-Final.

Com o mimimi de Leandrinho (alegou contusão, de novo) e de Nenê (alegou problemas pessoais), Magnano ainda se viu sem Varejão (passou por cirurgia no tornozelo), e com isso, se viu obrigado a desenvolver um jogo mais coletivo, solidário, que abriu vaga para que se destacassem Huertas, Splitter e Heinteinteinner. De início irregular no torneio (chegou a perder para a República Dominicana), o time pode ter ganho a confiança definitiva após a vitória de ontem.

Se a classificação for sacramentada, Nenê e Leandrinho serão enviados para o limbo. O segundo, recém-transferido para o Flamengo, poderá escutar in loco o repúdio dos torcedores. De desertor para baixo. E se quiserem estar nos ginásios de Londres, que garantam logo um convite vip ou que corram atrás de ingressos.

Magnano conseguiu montar um grupo como Scolari fez com a o time da CBF em 2002, mas o título olímpico é quase uma utopia (os EUA enviarão atletas da NBA) e uma medalha é quase um sonho difícil. Ainda mais se compararmos as dificuldades da geração de Oscar, que tinha as antigas Iugoslávia e União Soviética como adversárias (o esfacelamento delas gerou quase meia-dúzia de ótimas seleções) e os americanos enviavam universitários para as competições internacionais.

Se ficar entre os oito primeiros, a missão estará cumprida.

De marcante, fica a recepção calorosa que Magnano recebeu em Mar Del Plata. Se, por exemplo, um vitorioso técnico brasileiro, como Bernardinho vier para cá comandando um selecionado argentino, o torcedor brasileiro saiba recebê-lo com respeito e reconhecimento.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

VAI SERVIR?



Argentina x Brasil (ou Brasil x Argentina) é o maior clássico do futebol mundial.

Só acho que para reforçar a rivalidade, seria necessário que houvesse uma final de Copa entre eles. Se enfrentaram quatro vezes, entre 74 e 90, e depois disso, pareceu perder o encanto. Mais ainda quando as pelejas deixaram os gramados sul-americanos e foram para Londres e Dubai, e não se surpreendam se acontecer na Conchichina.

Talvez, o último jogo marcante tenha sido o baile brasileiro (4 a 1) na Copa das Confederações de 2005, ou se falarmos de jogos disputados, a final da Copa América de 2004. Esse ano, poderiam se enfrentar em uma final de Copa América, mas ficaram pelo meio do caminho.

Atualmente, temos duas Seleções em crise, que buscam algo de diferente para reavivar. Os argentinos buscam há tempos um técnico que lhes dê confiança (Maradona penou para ir à Copa, Batista era apenas uma aposta) e Sabella parece na tê-la, a se julgar pela vitória inexpressiva e cautelosa sobre a Venezuela (1 a 0) em sua estreia. A geração talentosa do meio para frente (Messi, Tevez, Aguero, Dí Maria, Higuaín) não tem correspondência na defesa (Zanetti é há uma década e meia a melhor opção para a lateral direita e Romero não isnpira grande confiança no gol). Sabella quer primeiro se garantir no cargo, e para isso, lançou mão de Verón e Riquelme (os dois pediram dispensa).

Mano Menezes apostou pesado na renovação, no "protagonismo" da camisa amarela perdida na Era Dunga, mas os "meninos" se perderam. Contra a Alemanha, tirou um atacante para colocar mais um volante, e mesmo assim, levou três gols dos germânicos. Ronaldinho ressurge como necessidade, apesar de apenas engatar um início de grande fase no Flamengo, e junto com ele, mais alguns veteranos vão se mantendo ou ressurgindo, como Lúcio, reguindado ao posto de capitão do time que disputará o Mundial em casa.

Nesse panorama, e fora da Data-Fifa, as duas seleções se nfrentam com times sem "estrangeiros" para ressucitar a Copa Rocca, rebatizada de Supercopa das Américas, com o trofeu pusilanimente denominado Nicolas Leoz. Talvez valha para que os convocados cheguem à antissala dos times principais.

Os albicelestes se preparam para as Eliminatórias (não será fácil) e os canarinhos para a Copa sem passar pela qualificação. É preciso um amálgama entre renovação e experiência, mas que os segundos pelo menos rendam. Sendo assim, os jogos podem ter alguma utilidade.

Mas precisa ter o Leoz no meio?

O paraguaio é o ponto de equilíbrio político entre AFA e CBF, embora essas ajam semelhantemente (Julio Grondona e Ricardo Teixeira têm cátedra em velhcaria), mas não precisavem fazer tanta média. Poderiam batizar de Taça Mercosul, Taça Pelé-Maradona, ou qualquer coisa que o valha.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

QUEM NÃO VIU, NÃO PERDEU



O time da CBF voltou à campo hoje, em Londres, a sua casa desde 2006, contra uma seleção ganesa cheia de desfalques e ainda jogado com um a menos desde a meados do primeiro tempo. Por isso, vencer por 1 a 0 não foi nada demais. O amistoso não valeu muita coisa.


Na defesa e no meio-campo, nada demais: o time parece ser esse, com suas qualidades e seus defeitos. Mas cabe aí uma futurada: Lúcio não chega à Copa, e se chegar, chega mal.

O que mais se esperava era ver Ronaldinho, se ele pelo menos fizesse o suficiente para receber uma nova convocação. Se o objetivo fosse esse, considere-se objetivo cumprido. Para um time quase acéfalo, alguns lampejos de inteligência do gaúcho foram um alento.

Mais alento ainda foi a atuação de Leandro Damião: centroavante alto, forte e rápido, é a espécie ideal procurada pelo mercado europeu, e tem tudo para desbancar Alexandre Pato e Fred como os avantes de Mano Menezes. Nessa janela europeia ele ainda não foi, mas não sei se o Inter resistirá a uma oferta mais tentadora na próxima oportunidade.

O jogo no fim das contas não apresentou nada de novo, nem mesmo as esperadas exibições

domingo, 4 de setembro de 2011

LIBERDADE, AINDA QUE TARDIA



Liberdade é um bem mais que precioso, principalmente quando você a perdeu.


E se torna ainda mais precioso quando você sabe que ela vai durar pouco, breves dias por sinal.

O ar passou a ser leve, a atmosfera parece ser límpida e as nuvens negras parecem dar lugar à um céu claro.

O outrora ambiente morto deu lugar à uma paisagem com criaturas alegres, que cantam celebrando a liberdade que tanto aprecio.

É tempo de viver os dias intensamente, de aproveitar contando as horas para o fim da alegria.

É tempo de aproveitar até mesmo o tempo de descanso, de sorrir mesmo quando parece não haver motivos para sorrir. Basta lembrar que o pior está por chegar.

Que pena que será um tempo nada duradouro. Melhor nem pensar que ele se esgotará rapidamente. É tempo de viver sem se importar com o que virá.

Nada de pressão, nada de compromissos imediatos, nada de pressão, nada de viver sob a pressão do medo.

De repente, posso romper o medo para iniciar uma longa rumo à liberdade duradoura.

Aproveitar a liberdade é meu compromisso imediato, conseguí-la em definitivo é meu sonho.

Quem sabe eu o realize.

sábado, 3 de setembro de 2011

NOTÍCIAS DESIMPORTANTES - 17ª EDIÇÃO



GRETCHEN ANUNCIA FINAL DE CARREIRA
Como assim? Sem fazer um mega-show de despedida?

Será que ela vai deixar uma sucessora?

Precisamos de uma continuadora para esse ícone da música intelecto-sensual!

Pelo menos, que ela nos avise quando se casar pela centésima vez

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O XADREZ CANELA-VERDE



Já escrevi sobre os principais postulantes à cadeira de Prefeito de Vila Velha ano que vem, e desde então, a única novidade é a filiação de Max Filho ao PSB. No mais, as possibilidades continuam as mesmas: Neucimar, Max, Hércules, Rodney, Favatto, Vasco Alves (insistente) e mais um do PT.


Só que de vez em quando, aparecem alguns nomes nanicos.

O PT do B, comandado por Tenório Merlo, ensaia lançar Dionísio Ruy Júnior, ex-vereador e candidato pelo PDT em 2008, com o apoio resignado de Max, que viu seu partido preterir seu candidato Roberto Beling. Mesmo com uma razoável estrutura de campanha, Dionísio não passou de um quarto lugar, beirando os 10 por cento dos votos.

O PSDB, ex-partido de Jorge Anders, especula “para ver se cola”, Henrique “Casamata”, recém-expulso do PT por se recusar a deixar a administração Neucimar. O detalhe é que “Casamata” sequer é filiado ao tucanato. Observemos que ele não teve sucesso nas duas campanhas para vereador.

Essas “movimentações” são normais nessa época pré-eleitoral. É compreensível que partidos e grupos políticos comecem as articulações internas e claro, os blefes, como é o caso óbvio das possíveis candidaturas de Dionísio e “Casamata”, que só servirão para preencher espaço no horário eleitoral e fazer emissoras arranjarem mais espaço nos debates.

Também estamos dentro do prazo para trocas de partido, lembremos, a filiação de Max Filho ao PSB ainda não está sacramentada. Até Outubro, movimentações ainda podem ocorrer, embora reconheçamos que em maior número entre os candidatos a vereador.

O PT é um caso a parte: desde que decidiu bater em retirada rumo à oposição, seria caminho natural que o partido lançasse candidato próprio. Mas quem? Insistir em Cláudio Vereza (que ficou longe do segundo turno em 2008), ou lançar Guilherme Lacerda (que também naufragou como candidato à Deputado Federal em 2010), ou arriscar de vez, lançando o vereador João Batista Babá, que perderia uma candidatura promissora à reeleição para tentar um voo kamikaze.

Neucimar já se articula e anuncia uma frente multipartidária contra Max, embora ele não divulgue. Mas não se impressionem: a lista é composta em sua maioria por partidecos inexpressivos, muito mais legendas de aluguel do que redutos ideológicos.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A CALCULADORA DOS SPURS



Para comentar o início de temporada do Tottenham, é preciso saber primeiro qual é o objetivo do time na temporada, o que não é difícil: chegar à Champions da temporada quem vem, e se possível, beliscar uma das Taças secundárias que disputa nessa temporada ( FA Cup, Carling Cup e Europa League). Essas competições secundárias dependem de regularidade , especialmente nos mata-mata, e claro, sorte nos emparceiramentos, muito mais ainda quando vierem os times eliminados na fase de grupos da Champions


Mas, e na Premier League? Vamos à minha teoria:

O futebol inglês tem direito à quatro vagas, e se considerarmos a média das últimas cinco temporadas, 72 pontos é a pontuação para se chegar em quarto lugar. Para um cálculo de metas, dividi os adversários em dois grupos: o primeiro, com Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester City e Manchester Unidet. Os demais times vêm no segundo grupo.

Contra os “grandes”, a meta é atingir 15 pontos, dez em White Hart Lane e cinco fora. Em casa, três vitórias, um empate e uma derrota; fora dos domínios, uma vitória, dois empates em uma derrota. Como desconsolo, uma derrota em casa e outra fora já foram gastas.

Detalhe que mesmo entre os grandes, é nítido que Manchester Unidet, Chelsea e Manchester City estão á frente de Arsenal e Liverpool.

Contra os “menores”, é necessária uma campanha muito boa, de 57 pontos em 28 jogos. Dos 14 jogos em casa, a meta é chegar á 35 pontos (11 vitórias, 2 empates e 1 derrota). Longe dela, 23 pontos (6 vitórias, 5 empates e 3 derrotas).

Lógico que é só uma perspectiva estatística...

O clube não fez grandes contratações, perdeu Robbie Keane, que já não ia bem há algum tempo, e ainda enviou uma barca cheia, liderada por Peter Crouch. O ataque desinchou, mas não restaram muitas opções.

Luca Modric deixou claro que queria sair, mas a proposta do Chelsea não convenceu, e reconheçamos, as opções que restaram mesmo antes da barca sair não eram tantas assim.

Mas, de nada vão adiantar essas contas se o time for irregular.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O PÓS GP DA BÉLGICA



Não sei se proposital. Mas quem definiu que o fim das férias da F-1 deveria ser em Spa foi genial.
Porque o circuito belga é, sempre, cenário perfeito para corridaças. Não falha. Não falhou hoje.

Após quase um mês de abstinência, a categoria assistiu a um belíssimo GP.

Vitória de Vettel. A 17ª da carreira, a 7ª em 12 corridas até agora nesta temporada. Com o resultado, o alemão supera Hamilton e se firma como o terceiro piloto em atividade com mais vitórias. Está atrás apenas de Schumacher (91) e Alonso (27).

Nem 8 nem 80. Bruno não é o salvador da pátria que muitos tentaram criar após o sétimo lugar no grid, mas também não é um barbeiro-pagante, acusação postada por torcedores indignados após o GP. É um piloto rápido, que assimila questões técnicas com muita facilidade, mas que ainda é verde em muitas situações de corrida. Esse pró e esse contra ficaram bem claros no fim de semana.

Ele corre em Monza e, na minha opinião, fica até o fim do ano. O abraço que recebeu de Boulier no sábado, após a classificação, para mim vale mais do que um comunicado oficial;


Massa saiu em quarto, terminou em oitavo. Alonso saiu em oitavo, terminou em quarto. "O que acontece com Massa?", perguntam. Não sei. Não sei mesmo. Será que o verdadeiro Massa é aquele de 2008 ou será que é o de 2011? Será que aquele vice-campeonato não foi circunstancial, fruto de uma série de eventualidades?

Ou será que é agora que ele está sofrendo uma pane, resultado do acidente de 2009 ou da paternidade ou da ordem na Alemanha ou da força de Alonso ou de alguns desse pontos ou mesmo de tudo isso somado? São perguntas que fazem e que, desculpem, não sei responder.

Até porque o próprio Massa não dá pistas. Ontem, colocou a culpa nos pneus macios. “Com pneu médio, o carro se comportou muito melhor e eu consegui pilotar nas últimas 12 voltas do jeito que o carro podia." Ah, ok. Então ele e a equipe jogaram as primeiras 32 voltas no lixo. Assim fica difícil...

Schumacher classificou de "maravilhosa" sua corrida em Spa. Eu não usaria o mesmo termo, mas, sim, foi seu melhor GP desde a volta da aposentadoria. O progresso da Mercedes é evidente, e acho que é essa a maior motivação do heptacampeão para 2012.

Continha rápida. Em 12 GPs, Vettel abriu 92 pontos sobre o vice-líder, Webber. Uma média de 7,6 pontos por GP. Arredondemos para baixo, para 7. Mantendo esta média, o alemão será campeão daqui a três corridas, no Japão. Se a gente der um desconto, pensando que a McLaren não está morta, a consagração do bicampeonato na corrida seguinte, na Coreia do Sul, parece uma aposta bem razoável.

A Fota definiu que haverá um teste coletivo durante a próxima temporada, em Mugello. Será em maio, na volta das equipes da Ásia, antes do GP da Espanha. Ótima notícia;

No Mundial de Pilotos, Vettel abriu mais sete pontos de vantagem para o vice-líder, Webber. Tem 259 pontos, contra 167 do australiano: 92 de folga. Alonso tem 157. Button é o quarto, com 149. Hamilton tem 146. Massa é o sexto da tabela, com 72.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

AS INVENCIONICES



O Tottenham entrou em campo hoje com uma escalação que deixaria Adilson Batista e Paulo Cesar Carpegiani babando de inveja. Contra um dos dois melhores times do país, Harry Redknapp escalou seu time com quatro zagueiros, cinco meias-atacantes e um atacante. Isso mesmo, cinco meias aofensivos e nenhum volante. A explicação oficial é que não havia volantes disponíveis. Huddlestone, porém, entrou no intervalo. E Corluka estava em campo. Era perfeitamente possível colocar o croata como volante, Kaboul na lateral e Bassong na defesa.

Redknapp errou, como erra sempre. O ano passado inteiro tentou jogar com um só atacante, sendo que não tem atacantes com essa característica, para encaixar Modric e Van der Vaart no time. Como o holandês se machuca muito, faria muito mais sentido revezar os dois, colocar ambos em campo contra times mais fracos, e ter dois atacantes. E um volante, claro.

Mesmo assim, o inglês é muitas vezs cotado para assumir sua seleção, e seu currículo, se bem editado, pode dar crédito a isso. Afinal, foi ele que levou os Spurs à Champions League, e às quartas-de-final dela. O que me intriga é como é que isso pode acontecer.

Acho que os técnicos são supervalorizados. Têm é que atrapalhar pouco. Redknapp, tudo indica, é um motivador. E, quando não inventa, isso funciona muito bem. Como eu já disse aqui, um Joel. O problema é que ele não sabe disso, e de vez em quando inventa para ver se funciona. Isso, um Tite. Funciona uma vez, falha 50. Mas ele continua. E com moral. Como, aliás, tantos joéis, tites, abéis...

domingo, 28 de agosto de 2011

PALMEIRAS 2 X 1 SMALL CLUB



Nem o Oliveira caçula deu jeito – e olha que ele tentou. Para cerca de 36 mil pagantes – o mesmo que seria auferido no Pacaembu, mas com apenas metade da renda, o Verdão ganhou o Derby por 2×1 e se manteve mais do que vivo no Brasileirão.

A rodada marcou o final do primeiro turno, e o Palmeiras está em sexto, mas a apenas cinco pontos do líder – a mesma diferença para o sétimo colocado. Apesar de ter vivido todas as crises possíveis e imagináveis, o time chegou ao fim do turno na briga, em evolução, tem uma perspectiva nova com a chegada de um NOVE-NOVE, e em paz.


Tite armou seu time com três atacantes, mas na verdade Jorge Henrique atuava mais como quarto homem do meio, auxiliando Danilo. Felipão foi pro jogo forçando pelos flancos. A primeira chance foi deles, numa cabeçada de Wallace, aproveitando cruzamento de Jorge Henrique.

Nosso troco foi rápido, com Patrik fazendo boa jogada pela direita e centrando para Kleber, que cabeceou forte, mas para fora. Aos poucos o Palmeiras foi dominando o meio de campo e tomando a iniciativa, e nessa pegada, outra chance foi criada por Kleber, agora pela esquerda: ele invadiu e bateu cruzado, com pouco ângulo, e Julio Cesar jogou pra fora.

Num lance fortuito, entretanto, o Small Club abriu o placar: após tiro de Ramon de fora, Marcos defendeu, mas deu rebote; na sequência a bola sobrou para Emerson fora da área; ele tentou cruzar, Henrique fechou com Liedson e a bola passou direto, iludindo Marcos. Ela ainda bateu na trave antes de ir para o gol. A vantagem era injusta, num lance de sorte.

O Palmeiras mantinha a lucidez tanto na marcação quanto na armação, e melhorou mais ainda quando Felipão trocou Patrik, que insistia em jogar aberto, por Fernandão. O centroavante, grandalhão que acabou de chegar do Guarani, além de dar a referência aos ataques do time, mostrou que tem estrela quando, num de seus primeiros toques na bola, disputou a bola com Julio Cesar após escanteio cobrado por Assunção; a bola espirrou e se ofereceu limpa para Luan fuzilar e empatar o jogo.

O Verdão seguiu melhor, mas o primeiro tempo terminou mesmo empatado – só que com a nítida sensação que o jogo estava à nossa mercê.

No segundo tempo o Verdão foi mais dominante ainda. Marcos Assunção e principalmente Chico anularam a criação smalliana, e a presença de Fernandão no meio dos zagueiros incomodava demais. Valdivia apareceu bem, e além de distribuir o jogo, irritava os adversários. E numa dessas, quem teve liberdade foi Assunção, que achou Fernandão enfiado e levantou na medida. O grandalhão matou no peito, e sem deixar cair, tirou do goleiro com surpreendente categoria, marcando um golaço. Que estreia foi essa!

Com a vantagem, o Palmeiras cometeu seu maior erro no jogo, que foi tentar administrar a vantagem. Assim, o time abriu mão da posse de bola, e deu chances ao adversário de conseguir o empate. Num ataque iniciado por Willian, a bola passou por Paulinho, Liedson até chegar em Emerson, que ficou de frente para Marcos mas amarelou, batendo fraquinho. O jogo estava tranquilo mas podia começar a ficar perigoso.

Nossa sorte é que do outro lado o treinador que fala pouco estava numa tarde de inspirabilidade, e trocou Danilo por Willian, deixando Jorge Henrique como único armador. Foram minutos de marasmo no clássico: o Palmeiras abriu mão da ofensividade, e bloqueava todas as tentativas do Small Club – até que Tite tentou corrigir seu erro e colocou Morais no Jorge Henrique. Eles melhoraram um pouco, mas não o suficiente para nos ameaçar.

O resultado é que os últimos 20 minutos foram de muita briga, lances duros, provocações, até que Valdivia disparou mais um chute no vácuo, levando Chicão à loucura. A melhor chance do Palmeiras na parte final do jogo ficou com Luan, que arrancou pela direita, invadiu e bateu cruzado – torto, bem à sua moda. Perto do fim, o único susto: Liedson bateu de fora da área, ainda contou com a ajuda do morrinho, mas Marcos fez uma defesaça, digna de um vencedor de um Derby.

O árbitro, que fechou os olhos para a pancadaria do time adversário, inclusive para tapas e cotoveladas, resolveu infartar alguns palmeirenses pelo mundo ao dar cinco minutos de desconto, mas nem assim deu: final de clássico, Verdão 2×1.

Estávamos realmente precisando dessa vitória, em todos os aspectos. Tecnicamente, o time mostrou que superou a fase de seca no ataque. Moralmente, o time entra num momento de recuperação, com um fato novo para estimular: a chegada desse grandão que ainda está longe de mostrar que é o cara que vai resolver nossos problemas, mas que foi importantíssimo no passo dado hoje. E na tabela, a rodada ajudou e recuperamos pontos importantes na diferença para os cinco primeiros.

Estamos vivos, a Sulamericana não vai mais nos atrapalhar, as crises foram superadas e o momento é de subida. Um ótimo momento para entrar numa trajetória assim – só precisa ser ratificado com uma boa partida contra o Botafogo, no Engenhão, o que nos colocaria de volta até no grupo que se classifica para a Libertadores.

sábado, 27 de agosto de 2011

O QUE ESPERAR DE BRUNO?



Bruno não é Ayrton. Essa é a primeira coisa que todos tem que ter em mente ao ver (ou rever, dependendo da idade) o capacete amarelo, verde e azul dentro do carro preto e dourado. Não esperem que ele comece colocando Petrov no bolso porque não vai. Petrov está acostumado com o carro, acostumado ao ritmo de corrida, ao ritmo classificações, etc.

Bruno Senna terá que conhecer o R31 e nessas primeiras corridas sua missão realista será não cometar erros nem ficar muito longe dos tempos de Petrov, que aliás estava dando um bom trabalho ao veterano e agora dispensado Nick Heidfeld.

O grande desafio de Bruno será lidar com a provável pressão ufanista de Galvão, Globo e cia. que traçará as óbvias similaridades estéticas e afetivas entre ele e seu tio, o que criará nos brasileiros uma expectativa irreal por resultados imediatos que em circunstâncias normais não virão.

Bruno também terá que manter-se minimanteme próximo ao ritmo de Petrov, seu companheiro, para que Eric Boullier e a alta cúpula da equipe não se arrependa da escolha, mas eles, diferente da maioria dos torcedores brasileiros, sabem que ele tem que se adaptar e tão cedo não esperam por grandes resultados.
Além disso a Formula 1 de hoje é muito mais complexa, experiência e carros bom faz muita diferença, então seria irreal esperar que ele, ou qualquer piloto sem experiência no lugar dele, faça milagres de cara.

Aliás, Heidfeld pode até não ser nenhum fenômeno de velocidade, mas o grande responsável pela queda de desempenho da equipe é a equipe em si, que não conseguiu desenvolver o carro no mesmo ritmo de suas rivais, e é esse carro já-não-tão-bom que Bruno pilotará, então vamos com calma.

Lembrem-se: Bruno não é Ayrton

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

PARABÉNS PALMEIRAS! PARABÉNS MESMO?



O Palmeiras completa 97 anos hoje, da pior maneira possível para o clube da colônia italiana, sem emoção alguma.
A apatia é um dos significados da morte para os italianos. Não há festa, raiva, decepção, ou choro, apenas a rotineira apatia. O time foi eliminado ontem da Sul-Americana, não passou pela primeira fase da competição. Foi desclassificado do caminho mais curto para a Libertadores por um clube saciado...

O Vasco ganhou a Copa do Brasil e escalou reservas para esses confrontos com o Palmeiras, tanto no Rio como ontem em São Paulo, e ficou com a vaga.

Vitória inútil ontem, tomando gol de Jumar, jogador que foi humilhado por dirigentes e torcida quando estava no Palestra. Outro fracasso a mais que não é encarado de verdade...

O clube tenta ganhar alguns trocados da pior maneira possível, lançando a saudosista terceira camisa dos tempos áureos que o time era gerido pela Parmalat. Além do dinheiro que chovia da Itália, de uma maneira intrigante, o importante era o comando do futebol,de dirigentes remunerados e profissionais, não amadores que agem como torcedores descontrolados, como na administração Belluzzo, ou como pessoas conformistas, acostumadas com as derrotas, como a atual gestão Arnaldo Tirone...

Tudo é tão árido, desanimador, que até Felipão se cansou. Ele não briga mais por reforços, não projeta grandes times, não gasta telefonemas para a Europa para tentar trazer grandes jogadores. Como todo palmeirense, não tem mais sonho. No último, passou vergonha, por um argentino com quem já havia até conversado, um tal de Martinuccio que treina no Fluminense. Felipão sofre, mas trabalha muito...

Só que ainda não é milagroso e não consegue título algum, o que faz seu esforço improdutivo.

Com disse recentemente Marcos, o último dos sinceros: "Brigar para disputar a Libertadores para quê? Com esse time é melhor nem chegar lá. É vexame na certa." Então, o Palmeiras fica nesta pasmaceira...

O 'apaixonado' pelo clube, o empresário Jota Hawilla não quis nem saber dos convites que recebeu. Ele não tem o menor interesse em voltar a investir pesado no Palmeiras. Vai cuidando do dinheiro que colocou em Ronaldinho Gaúcho no Flamengo, e dos seus inúmeros projetos para a Copa do Mundo no Brasil. Virou as costas ao Palmeiras, como tanta gente importante...

A Arena vai sendo construída pela WTorre, que (parece) não sangra as finanças do clube.

As dívidas se arrastam desde a administração Belluzzo. Faz um ano que ele resgatou Valdivia para o Palmeiras, uma transação de mais de R$ 16 milhões para ter um jogador acomodado e que não rende nem metade da sua primeira passagem pelo clube?

E ainda fazer o torcedor passar vergonha quando presidente Tirone confessa na tevê: "Não tenho dinheiro para pagar o Valdivia..."

Belluzzo também trouxe a peso de ouro Kléber de volta, também acomodado, feliz com o salário. Só a Gaviões da Fiel para resgatá-lo ao noticiário.

Não adianta protestar nos muros do Palestra Itália, niguém leva a sério. É um aniversário sem saída, a A não ser que surja outra vez uma empresa que aceite comandar o futebol do clube. Com as próprias pernas, o Palmeiras não sabe mais andar...

Não tem competência, precisa de um tutor.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

RENÚNCIA DE JÂNIO, 50 ANOS DEPOIS



Vocês certamente já ouviram falar em Jânio Quadros. Foi aquele presidente da República que renunciou ao mandato depois de apenas sete meses de governo. Um período curto, mas que deu tempo para ele proibir as brigas de galo, lançar a moda do safari para enfrentar o calor do País tropical, e, ah…sim, chegar ao cúmulo de proibir o uso do biquini, etc…etc…e deixar o Brasil numa bananosa que acabaria resultando no golpe de 64.

Na próxima semana, completam-se 50 anos da renúncia de Jânio Quadros. No dia 19 de agosto de 1961 ele condecoraria Che Guevara que visitava o Brasil. No dia 25, renunciaria, embora ainda se questione se ele de fato estava querendo deixar o poder ou corria atrás de mais poder, retornando nos braços do povo, como se dizia na época.

A resposta para essa pergunta ainda atormenta historiadores da política brasileira contemporânea. Claro que alguns indícios apontam para um retorno triunfal. No dia 25 de agosto de 1961, o vice-presidente João Goulart estava em visita oficial à China. Naquele tempo, voltar da China era um problema. Hoje, com o Aero-Lula, a presidenta Dilma Rousseff levou quase dois dias para retornar. Imaginem sem o Aero-Lula.

Outro indício de que a renúncia não era para valer: Jânio embarcou para São Paulo levando a faixa presidencial, que teve de voltar a Brasília trazida pelo seu ajudante-de-ordens.

Para todos os efeitos, Jânio era um político aposentado, depois de uma carreira fulminante, que o levou da Câmara Municipal de São Paulo a Brasília em pouquíssimo tempo. Ele foi o primeiro presidente a tomar posse na “solidão do Planalto Central”, o que o incomodava muito. Essa solidão, diga-se, foi um tema recorrente na nossa longa conversa, 35 anos atrás.

indefinição sobre quem seria o sucessor de Jânio durou 13 longos dias. Nesse período, quem esteve à frente do governo foi o presidente da Câmara, Ranieri Mazzili, que tomou posse quando o vice-presidente da República, João Goulart, estava em viagem oficial à China. Para acalmar os militares, que não queriam Jango na Presidência, foi aprovada rapidamente uma emenda constitucional para instituir o Parlamentarismo: o presidente seria apenas o chefe de Estado, cabendo ao primeiro-ministro, a ser escolhido pelo Congresso, a função de tocar o governo.

Resolvido o impasse, Jango tomou posse no feriado de Sete de Setembro e tentou acalmar os ânimos, ainda exaltados. O historiador Antonio Barbosa não tem dúvida de que a renúncia de Jânio Quadros foi um fator decisivo para a queda do regime democrático. Esse 25 de agosto de 1961 significou o primeiro grande passo para o fim, para o colapso iniciado em 1946. Ou seja: 25 de agosto abre as comportas para um processo extremamente turbulento, extremamente revolto, que deságua no 1º de abril de 64. Foi literalmente uma tentativa de golpe que não deu certo.

Por fim, seu vice, João Goulart, que no momento fazia uma viagem à China comunista, assumiu o poder – fato que reforçou a resistência das elites conservadoras e militares, e que, no fim, culminaria com o golpe militar de 1964.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A MÁQUINA EMPERROU?



Uma das piadinhas sobre o momento do futebol brasileiro é: “faltam três anos, doze estádios e um time para a Copa”. A primeira afirmativa é incontestável, até pela cronologia; a segunda é uma realidade temerária, e que com certeza, se tornará cara; e a terceira, tenho dúvidas.
Há muitos anos que ouço que o futebol brasileiro é capaz de mandar diversas seleções para o Mundial e que todas se saiam bem por lá. Mas seria isso uma verdade?

Há dez anos, a Seleção Canarinho vivia uma crise muito maior que a atual: o time tinha o seu terceiro técnico em quatro anos, lutava para se classificar para o Mundial que mais tarde ganharia, acabara de ser eliminado na Copa América por Honduras (!), após uma primeira fase sofrível, e na Copa das Confederações, só conseguiu o quarto lugar, após uma derrota perante a Austrália.

Nesse turbilhão, a Revista Placar perguntava se a fábrica de craques emperrara. Respondo logo que se não emperrou, pelo menos diminuiu a rotação. As exigências do tal “futebol moderno” privilegiaram a preparação física em detrimento da capacidade técnica. Os esquemas táticos foram minguando os ataques e inchando o meio-campo, em nome da tal “ocupação de espaços”. Não estou discutindo se a adaptação à essas transformações foram benéficas ou não, mas que a queda técnica anda paralela ao desenvolvimento da preparação física, isso anda.

Vou ao meu veredicto: o Brasil tem condições de montar um elenco em condições de alcançar o título, e convocar mais outros 23 que podem chegar entre os dezesseis, e mais 23 que podem chega à Copa. Não que a nossa “fábrica” esteja funcionando em sua plenitude, mas é que nossos principais rivais, talvez com exceção da Argentina e Holanda (só do meio para a frente), sofrem com seus reservas. Inclusive a campeã Espanha.

O Brasil vai ganhar a próxima Copa, embora eu torça por um Maracanazzo daqueles. Não é só eu quem acha isso: gente de pontas diferentes, como Mílton Neves e Jorge Kajuru também acham que se não der na bola, vai dar no apito, no tapetão, ou até mesmo na porrada.

Mas, e daí para a frente? Se bem cuidado, o time recentemente Campeão Sub-20 pode servir de base para um futuro promissor, ainda mais se levarmos em consideração que foi feita a opção por não levar Lucas e Neymar. Dois anos mais velhos, ainda estão os vice-campeões de 2009, incluindo o hoje adormecido Paulo Henrique Ganso. Ótima base para Londres/2012, ainda mais com a vantagem de não ter a bicampeã Argentina como adversária, esta última batida pelos uruguaios no Sul-Americano Sub-20.

Resumo dessa balada: o futebol brasileiro empobreceu, mas o futebol mundial também. É a tal história de se nivelar tudo por baixo.

domingo, 21 de agosto de 2011

SÍLVIO SANTOS VEM AÍ. TEM OUTRO JEITO?



Em um desses Domingos à noite, na casa de parentes, onde não havia TV paga, me pus em uma aventura pela TV aberta. O resultado, como não poderia deixar de ser, foi decepcionante: a depressão começa com o final do jogo, às seis da tarde, com “emoções do Domingão do Faustão”.
Zappeando, me deparo com o programa do Gugu, uma bizarrice dos anos 80 e 90, que insiste em sobreviver à base de velha xaropada emotiva, brincadeiras de dar insônia à quem é acostumado a passar dias em claro.

Mais adiante, o Programa da Eliana sem a Eliana, comandado pelo Ratinho, hoje uma aberração domesticada, quase uma ironia na TV.

Na Bandeirantes, o mercadológico Milton Neves, que ainda sobrevive com seus jabás e polêmicas inúteis.

E assim segue o Domingo, sem grande coisa, a não ser que consideremos o bom e velho Sílvio Santos. Não se assuste! O bom e velho Senor Abravanel parece ter se reinventado e ganhado novo fôlego aos 80 anos. Irônico, desbocado, pervertido, e porque não dizer, pornográfico, ele é o destaque de um programa simples e despretensioso, mas que é muito melhor que os seus concorrentes.

O Pânico na TV já deu o que tinha que dar, e caminha para uma lenta agonia, assim como ocorreu com o Casseta e Planeta. Talvez seja melhor que a trupe de Emílio Surita se reinvente, o que não é fácil se continuar adotando a linha da baixaria. Não que não fosse esse o caminho de antes, mas até para ser de baixo nível é preciso ser engraçado. Há uma confusão entre humor e agressividade.

Sílvio Santos ganhou após décadas de trabalho, principalmente na televisão, o status de mito, e é nesse status que ele parece se acomodar, sem querer desbancar a Globo como líder, mas tentando retomar o posto que lhe foi tirado pela Record, que cada vez mais percebe que o sonho de destronar a Vênus Platinada da liderança é um devaneio.

E Sílvio Santos vem aí...